O período de férias costuma trazer alívio para os adultos e, ao mesmo tempo, dúvidas recorrentes quando o assunto é infância. Entre viagens, horários mais flexíveis e dias menos previsíveis, muitos pais se perguntam se manter a rotina durante as férias é realmente necessário, ou se flexibilizá-la pode prejudicar o desenvolvimento da criança.
A resposta passa longe dos extremos. Na primeira infância, rotina não é sinônimo de rigidez, assim como férias não significam ausência total de organização. O equilíbrio entre esses dois pontos é o que garante segurança emocional e bem-estar para a criança.
A função da rotina no desenvolvimento infantil
Para crianças pequenas, a rotina exerce um papel estruturante. Ela ajuda a organizar o tempo interno, favorece a autonomia e oferece previsibilidade, um elemento essencial para que a criança se sinta segura no mundo. Quando a criança sabe o que esperar do dia, seu corpo e suas emoções respondem com mais tranquilidade.
Na educação infantil, a rotina não é aplicada para controlar comportamentos, mas para apoiar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. É por meio dela que a criança aprende a lidar com transições, espera, limites e autonomia de forma gradual e saudável.
O que muda quando chegam as férias
Durante as férias escolares, a dinâmica familiar naturalmente se transforma. Os horários se tornam mais flexíveis, os estímulos aumentam e a convivência se intensifica. Essas mudanças são positivas e fazem parte do descanso necessário tanto para crianças quanto para adultos.
O desafio surge quando essa flexibilidade se transforma em ausência total de referências. Quando não há horários minimamente previsíveis para dormir, acordar e se alimentar, a criança pode apresentar sinais de desorganização emocional, como irritabilidade, dificuldade para dormir e maior resistência aos limites cotidianos.
Manter ou não a rotina durante as férias?
Manter a rotina exatamente como no período letivo não é necessário e, muitas vezes, nem desejável. O que faz diferença é preservar a estrutura do dia, mesmo com ajustes no ritmo. Horários aproximados para acordar, alimentar-se e dormir funcionam como âncoras emocionais, ajudando a criança a se orientar ao longo do dia.
Essa estrutura oferece segurança sem impedir o descanso, a brincadeira livre e as experiências próprias das férias. Quando há equilíbrio, a criança aproveita esse período com mais leveza e retorna à escola com maior facilidade de readaptação.
Os efeitos da desorganização excessiva
A ausência completa de rotina pode impactar diretamente o comportamento infantil. Alterações no sono, maior sensibilidade emocional e dificuldades de concentração são respostas comuns quando a criança perde suas referências diárias. Esses comportamentos não devem ser interpretados como “birra” ou “falta de limites”, mas como sinais de que a criança precisa de mais previsibilidade.
É importante lembrar que, na primeira infância, o corpo e as emoções ainda estão em processo de maturação. A rotina funciona como um suporte externo que ajuda a criança a se autorregular gradualmente.
Como encontrar equilíbrio sem culpa
O período de férias não deve ser vivido com culpa ou excesso de controle. Pequenas flexibilizações são naturais e fazem parte desse tempo de descanso. A chave está em observar a criança, respeitar seus sinais e manter rituais que tragam segurança, como o momento das refeições, do banho e do sono.
Mais do que cumprir horários exatos, o que realmente importa é oferecer consistência e presença. Férias são também um convite à conexão, ao vínculo e ao fortalecimento das relações familiares.
O papel da escola infantil nesse processo
A Minha Escola é comprometida com o desenvolvimento integral da criança, compreendendo que o aprendizado não acontece de forma isolada. Por isso, orientamos as famílias, respeitamos o tempo de cada criança e apoiamos a retomada da rotina após o período de férias, tornando esse retorno mais acolhedor e gradual.
Quando escola e família caminham juntas, a criança sente segurança para explorar, descansar e crescer, inclusive nos períodos de pausa.
Na primeira infância, rotina é cuidado, não rigidez. Férias são descanso, não desorganização. Ao equilibrar estrutura e flexibilidade, é possível garantir que a criança viva esse período com bem-estar emocional, aproveitando as férias sem comprometer seu desenvolvimento.
Se crescer exige constância, descansar também exige segurança.



